Aquela que correu a meia maratona do Douro Vinhateiro 1
Douro, Atrações Imperdíveis, Europa, Experiências, Inspiração, Portugal

Aquela que correu a meia maratona do Douro Vinhateiro

Eu corri 21km. Wow! É mesmo wow! Me sinto incrível. Nunca pensei que um dia fosse correr uma meia maratona. Mas como sou daquelas que quando coloca uma coisa na cabeça dificilmente desiste… principalmente quando a coisa envolve viver uma experiência, como foi o caso da Meia Maratona do Douro Vinhateiro, não há nada que me impeça!

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A inscrição para participar da meia maratona aconteceu dois meses antes da prova. Quando me inscrevi pensei: “eu já corro, em média 7 a 8 km. Se em cada semana eu aumentar 1 km até o dia da prova, eu tenho um bom preparo para correr os 21 km”.

Acontece que a quilometragem nos meus treinos foram melhores do que eu previa. No primeiro fiz 11, passando para os 12 até que nos 14 km tive uma entorse no pé direito. 10 dias de pausa nos treinos e tratamento e… voilá! Vamos voltar a treinar! Mais duas semanas de treino e bati meu recorde, tanto de quilometragem como de imprudência com o corpo. Nesse dia comecei a sentir uma dor no pé esquerdo e mesmo assim continuei correndo por mais 8 km. Por mais que tenha vontade de correr e cumprir com os objetivos, com a saúde não se brinca. #ficaadica Essa “brincadeira” custou caro: tanto em tempo como em eurinhos gastos em consultas, como com um enfermeiro especializado em músculo e um fisioterapeuta.

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Enquanto eu insistia na ideia de correr a meia maratona, muitos amigos aconselharam não arriscar. Depositei muitas esperanças nas sessões de fisioterapia e confiei no bom tratamento que os meus pés vinham recebendo. Mesmo com os olhares de reprovação diante da insistente ideia em participar da prova… desistir estava fora dos planos! Mesmo que conseguisse correr apenas uns quilômetros e tivesse de terminar o percurso caminhando, não seria eu se nem ao menos tentasse.

Apesar da entorse nos dois pés, a corrida enquanto esporte tem me ensinado muito sobre a vida: cuidar do corpo, ter disciplina e limpar a mente de pensamentos desagradáveis. Respeitar os limites do corpo é essencial, mas nada como superar os desafios. Depois dessa experiência, tenho a total convicção de que posso correr muito além dessa quilometragem. Até porque duvido muito… que o número de participações em meia maratona fique apenas numa unidade!

Participar de uma meia maratona sozinha exige muita determinação. Não só pela disciplina dos treinos, mas diante do calor ou frio, dor e cansaço nas pernas, é necessário mesmo muita determinação para não parar de correr. A solo busquei infinitas motivações: a paisagem incrível do Douro, os corredores pelos quais eu passava e os quais passavam por mim, a população que aplaudia e gritava para todos que por eles passavam, e talvez a motivação mais forte de todas, uma das músicas dos Engenheiros do Hawaii que tem na letra a seguinte frase “eu não vim até aqui para desistir agora… se depender de mim eu vou até o fim”.

Entre os 3.744 corredores, eu era uma. Sozinha fisicamente, mas acompanhada de meus pensamentos e da crença de conseguir chegar até a linha de chegada, sem ter de interromper a corrida pelos motivos de dores nos pés ou falta de resistência. Na mistura de euforia e nervosismos coloquei um playlist ao volume máximo do celular e fui passo a passo até cruzar a linha de chegada.

Correr no Douro é inspirador. Não há como desistir de percorrer os 21 km que são contemplados por uma das paisagens mais lindas de Portugal. Não é à toa que Meia Maratona do Douro Vinhateiro é nomeada como a mais bela corrida do mundo.

Durante quase todo o percurso fui lado a lado do Rio do Douro, mas em alguns momentos tive de abandoná-lo para correr do outro lado da estrada no aproveitamento de preciosos metros de sombra. O dia da meia maratona estava muito quente e para quem vinha treinando em dias frios o impacto foi grande. Lembre-se: protetor solar e o uso do boné é indispensável!

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Os primeiros 8 km de prova foram os melhores. Havia pouca sombra, mas a maior quilometragem do percurso era plana e intercalava com uma leve descida. O que achei muito estranho foi que, a partir dos primeiros 3 km, comecei a avistar corredores na direção contrária e pensei: “Nossa! Será que essas pessoas desistiram da prova e estão voltando?” Quanta ingenuidade! Percorri mais 2 km, até que comecei a avistar muitos outros corredores na direção contrária, então pensei diferente: “Nossa! Será que esse é o percurso da volta? Essa decida, a qual está facilitando a minha corrida se transformará numa subidinha terrível?”… Resposta: Sim!.. custava olhar o mapa do percurso oficial da meia maratona? Não, neh? Rsrsrs…

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Durante a prova vi apenas um corredor estirado no chão recebendo atendimento médico, mas muitos caminhando lentamente e alguns mancando. Ficava assustada e pensava: “espero não ter de passar por isso. Pézinhos façam jus às sessões de fisioterapia”.

Por mais “leve” que fosse a subida, ela não deixou de ser terrível. Não só pela inclinação da estrada, mas porque o sol começou a influenciar o corpo, sem contar que depois dos 13 km as minhas pernas passaram a sentir o cansaço da prova. Foi nesta altura que tomei o meu segundo gel energético.

Ah! Sobre o gel energético… muito ouvi falar sobre ele, mas pela ausência dos treinos não consegui experimentá-lo antes da prova. Não sigam este exemplo! Não inventem de experimentar nada no dia da meia maratona. E quando eu digo “nada” vale para tudo, desde bermuda, meias, alimentação… Como eu não tinha outra hipótese, levei três bisnagas de gel de sabores mistos: abacaxi, morango e frutos vermelhos. Eles possuem um sabor muito adocicado, sendo indispensável beber água depois de ingeri-los.

Esses géis possuem a promessa de 1h a mais de energia. Eu os tomei aos 8, 13 e 18 km e mais do que confiar na promessa de “mais energia”, acreditei no resultado, pois… dizem que a lei da atração tem o seu efeito, neh?

Após beber o último gel energético pensei: “agora vai… já foram 18, falta só mais 3 km” e assim fui até passar pela Ponte Antiga do Peso da Régua, quando avistei um pórtico. Pensei novamente: “estou chegando! Ai Meu Deus… Estou chegando!” Comecei a diminuir a velocidade da corrida e por mim passaram vários corredores, até  que uma olhou pra trás e disse “Ainda não acabou! Falta 1 km!”. “Senhor!” Disse eu para mim mesma… “Pernas para que te quero… aguentem!”. Corri como se não houvesse amanhã, nuns nervos querendo encontrar a linha de chegada e uma garrafa de água. O último quilômetro parecia mais distante do que nunca. Via os maratonistas passando com suas medalhas e seu saco de alimentação, até que uma hora gritei para um casal “Falta muito” e eles: “Não… é logo ali”. Mais uns metros e avistei mais um pórtico – dessa vez era o fim. Visualizei o cronometro em 2:19h e fiz um V de vitória com os braços.

A vontade que eu tinha era a de correr para os braços da primeira pessoa que visse pela frente. Mas a única coisa que conseguia fazer era andar com as pernas duras, sorrir, chorar e dizer a mim mesma “eu consegui! Eu corri 21 km! Preciso contar isso à minha mãe!”.

De acordo com o chip da classificação geral da meia maratona, completei a prova em 2:13:58, chegando na posição 3.147. Nada mal para uma estreia como maratonista, principalmente por ter ficado 15 dias sem treinar e ainda em processo de recuperação de entorse nos dois pés, neh?

Correr uma meia maratona é uma experiência a ser repetida sem pensar duas vezes. Ainda mais se ela for conciliada junto de uma viagem dentro ou fora de Portugal. Mas para as próximas… é seguir um plano de treino adequadamente e tentar levar alguma companhia, quer seja para correr ao meu lado ou para estar na linha de chegada a espera do abraço da vitória!

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2 Comentários

  • Resposta Renata Albuquerque 17 de maio de 2016 at 15:09

    É a primeira de muitas e maravilhosas experiências nesse esporte maravilhoso.
    Já obteve muitas lições e cresceu como nunca. Agora é colocar em prática e evoluir mais ainda.
    Parabéns!

  • Resposta Sónia Teixeira 19 de maio de 2016 at 16:00

    Adorei o teu relato, para mim também foi a primeira meia maratona, cheguei um pouco depois de ti 2:24:34,
    foi uma sensação única e o ultimo km foi sem duvida o pior… Mas também eu estou ansiosa pela próxima Meia Maratona, felizmente companhia já tenho.

  • Sou curiosa! Deixe um comentário:

    Adaptado por aquelesqueviajam.com